Tema

As necessidades de água para a agricultura continuam a crescer à escala mundial, como consequência da industrialização do sector, impulsionada pela globalização e pelo crescimento populacional, correspondendo, em Portugal, a cerca de 80% dos consumos de água. O aumento do uso da água de rega mantendo as estratégias de gestão atuais cria dois problemas: (1) situações de escassez face à procura e (2) risco de poluição dos recursos hídricos. A situação de escassez cria a necessidades de conciliar o uso na agricultura com as necessidades das populações, dos ecossistemas e de outras atividades económicas. Acresce ainda que, num cenário de alterações climáticas, as reais disponibilidades futuras deste recurso estão associadas a muita incerteza.
A experiência de mais de 6 décadas que as associações de regantes detêm em Portugal na gestão dos recursos hídricos precisa de ser complementada com ferramentas de apoio à gestão da água em situação de carência, a qual requer o conhecimento detalhado das disponibilidades hídricas de forma a maximizar os benefícios da rega, minimizando o impacte sobre a qualidade da água. A estratégia de gestão deve ser feita à escala da bacia hidrográfica pois é a esse nível que mais se faz sentir o efeito evolutivo das pressões, como consequência das alterações da estrutura social e das práticas agrícolas. Esta gestão tem de ser feita também tendo em consideração a procura, o armazenamento efetivo e potencial nas albufeiras, a capacidade dos aquíferos, a qualidade da água e os processos físicos que influenciam diretamente a dinâmica da água à escala da bacia, fazendo o “upscaling” das atividades realizadas à escala da parcela.
Este projeto propõe-se desenvolver uma ferramenta de apoio à gestão de água armazenada nas albufeiras para fins de regadio, através da previsão das afluências e dos consumos, aumentando o conhecimento e a capacidade de previsão dos gestores de água e, simultaneamente, a otimização da relação custo/benefício relacionada com a monitorização dos recursos hídricos.